O lançamento de Avatar: O Caminho da Água trouxe de volta aos cinemas um espetáculo visual impressionante, ancorado por um elenco recheado de estrelas de Hollywood. Acontece que, como a maioria dos atores dá vida aos Na’vi, aquelas gigantescas criaturas azuis que habitam Pandora, é perfeitamente possível assistir às mais de três horas de filme sem fazer a menor ideia de quem está na tela. A 20th Century Studios divulgou um material de bastidores revelando o complexo processo de gravações. O foco do vídeo é a transição do rosto e do corpo real do elenco para as contrapartes digitais. O produtor Jon Landau fez questão de apontar o imenso salto tecnológico em relação ao longa de 2009. A fidelidade da captura de performance, segundo ele, atingiu um patamar inédito.
Para o diretor e idealizador desse universo, James Cameron, a grande vantagem da tecnologia atual é poder focar inteiramente na atuação. Sem a necessidade de se preocupar com o balanço de uma câmera no set ou com a coreografia dos figurantes ao fundo, ele garante que sua atenção fica voltada de forma exclusiva para o elenco. É só o que importa no momento da gravação.
Os veteranos de Pandora
A dupla protagonista já é uma velha conhecida do público e agora retorna para comandar a sequência. Jake Sully e Neytiri finalmente formaram uma família, sendo novamente interpretados por Sam Worthington e Zoë Saldaña. Worthington construiu boa parte de sua imagem no primeiro Avatar atuando em sua forma humana, mas agora Jake assumiu de vez sua identidade nativa e o corpo azul. Fora de Pandora, o ator é lembrado por liderar elencos em O Exterminador do Futuro: A Salvação e em Fúria de Titãs, onde viveu Perseu.
Do outro lado, Saldaña consolida ainda mais seu nome como uma gigante da ficção científica. Além da guerreira Na’vi, ela dá vida à Gamora no Universo Cinematográfico da Marvel. A atriz carrega uma marca histórica impressionante na indústria. Ela é a única pessoa a integrar o elenco principal de pelo menos três das cinco maiores bilheterias de todos os tempos, o que inclui os arrasa-quarteirões Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato.
A liderança dos mares
A trama da nova aventura força a família de Jake a deixar a floresta do clã Omaticaya para buscar refúgio entre os Metkayina, um povo de pele ligeiramente mais esverdeada que domina os oceanos. É justamente nas águas que encontramos algumas das adições mais pesadas do elenco. Kate Winslet assume o papel de Ronal, esposa do líder da tribo. A atriz, que dispensa qualquer apresentação e vem de uma atuação aclamada na série Mare of Easttown da HBO, revive aqui sua parceria de sucesso com Cameron décadas após protagonizarem juntos o fenômeno Titanic.
O marido de Ronal e líder dos Metkayina, Tonowari, é vivido pelo neozelandês Cliff Curtis. Ele traz no currículo filmes intensos como Encantadora de Baleias, O Amor e a Fúria e Efeito Colateral. Descendente direto do povo nativo Maori da Nova Zelândia, o ator adiciona uma bagagem cultural e representativa muito forte à construção da tribo litorânea.
Sangue novo na franquia
Apesar de Jake Sully carregar o peso do protagonismo, a dinâmica da sequência transfere boa parte dos holofotes para a geração mais jovem. Os conflitos e as descobertas giram bastante em torno de Lo’ak e Kiri, dois dos filhos do casal principal. Kiri reserva uma das maiores surpresas dos bastidores. A adolescente é interpretada por ninguém menos que a veterana Sigourney Weaver, que deu vida à Dra. Grace Augustine no filme original. As novas ferramentas de captura de movimento permitiram que a atriz resgatasse sua própria energia da juventude, trazendo sua versão de 14 anos de volta à vida na pele da jovem Na’vi.
Já o rebelde Lo’ak fica a cargo do americano Britain Dalton. O jovem ator ganhou notoriedade ao interpretar Jason Larson na primeira temporada da série Goliath, do Amazon Studios, e também emprestou seus movimentos para o jovem Nathan Drake no aclamado game Uncharted 4: A Thief’s End.
O outro lado do sucesso
Toda essa grandiosidade técnica e a riqueza do mundo criado por Cameron não passam imunes ao escrutínio público. Avatar recebe a mesma carga de amor e ódio direcionada a praticamente qualquer filme que atinge um nível estrondoso de expectativa. Nas comunidades e fóruns de cinema, muitos fãs celebram a chance de retornar a Pandora, elogiando textos e análises que mergulham em detalhes profundos da obra, como a origem e a curiosa etimologia por trás dos nomes dos personagens.
Ainda assim, existe um sentimento inegavelmente agridoce circulando entre os cinéfilos. Uma parcela considerável do público admite não ter muito interesse em acompanhar as inúmeras continuações que estão por vir. O maior lamento, no entanto, recai sobre o próprio diretor. Ver um cineasta visionário como James Cameron dedicando todo o tempo de vida que lhe resta exclusivamente à franquia Avatar gera certo desconforto. Há quem ache uma pena que ele tenha se isolado em Pandora, abrindo mão de criar novos universos para focar as próximas décadas em um único projeto.
